Jupiá se destaca na produção de morangos em sistema semi-hidropônico suspenso

Publicado em 11/09/2017 às 21:14:02 - Atualizado em 11/09/2017 ás 21:14:02

Tecnologia da Epagri integra plataforma de boas práticas para o desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU)

A produção de morangos em sistema semi-hidropônico suspenso é a mais nova tecnologia da Epagri a integrar a plataforma de boas práticas para o desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). Essa é a nona tecnologia da Epagri a integrar a plataforma, um espaço de disseminação e compartilhamento de iniciativas replicáveis de boas práticas desenvolvidas na região Sul do Brasil.

O sistema tem várias vantagens, entre elas melhor utilização do espaço na pequena propriedade com bons resultados econômicos, adaptação à realidade da mão-de-obra disponível na propriedade e produção em períodos diferenciados das épocas tradicionais. Outro grande diferencial é a produção de morangos com maior qualidade e menor risco de contaminação. 

Orgulhosamente um dos municípios que integram a região de abrangência da Agência de Desenvolvimento Regional de São Lourenço é referência neste sistema. Trata-se do município de Jupiá, onde o produtor Geraldo Debastiani, sob a supervisão da extensionista da Epagri Sônia Toigo, cultiva morangos semi-hidropônicos suspensos desde junho de 2015, quando implantou um abrido de cultivo de 105m2, onde são cultivadas 1500 plantas de morango.

A rentabilidade é um fator de destaque: segundo dados da Epagri, para cada R$ 1 empregado na atividade, existe um retorno da ordem de R$ 1,04 no primeiro ano e R$ 3,44 no segundo. Outro aspecto importante do sistema é a produtividade, que fica na média de um quilo por planta/ciclo.

A qualidade de vida do produtor também é algo a ser levado em consideração já que como o sistema é suspenso, o profissional não precisa se abaixar para lidar diariamente com as plantas. A manutenção de uma postura mais adequada evita dores nas costas e outros problemas associados ao manejo diário.

Saiba mais:

A família De Bastiane, constituída pelo casal, Geraldo e Ivone De Bastiane, produzia tradicionalmente leite e grãos em uma área de terra de 7 ha. Outras cultivares, como por exemplo hortaliças, eram produzidas apenas para o consumo. A baixa rentabilidade, prejuízos decorrentes da perda de animais do rebanho leiteiro, e um grave problema de saúde que acometeu o Sr Geraldo, indicavam a necessidade de trilhar um caminho diferente. Após uma cirurgia cardíaca, a capacidade de realização de atividades com esforço físico, ficou comprometida. A oportunidade de mudança, ficou evidenciada, a partir da participação em um curso promovido pelo Centro de Referência em Assistência Social – CRAS, em agosto de 2014, ocasião em que a família conheceu e se interessou pelo cultivo hidropônico. Foi então, que com o auxílio da Epagri, a família iniciou uma séria de visitas em propriedades que possuíam o sistema instalado e participou de cursos e eventos com vistas a conhecer o modelo de produção. 

Convencidos de que o cultivo de morangos era apropriado, em junho de 2015 a estrutura do abrigo de cultivo estava totalmente pronta e as mudas de morango, cultivar Albion, foram plantadas. As perspectivas eram boas, o clima era adequado a cultura e as condições de mercado promissoras, visto que na região cultivos de morango neste sistema praticamente inexistiam. 

O início da produção de morangos em ambiente protegido se deu a partir da construção do abrigo de cultivo. Em modelo túnel alto, em forma de arco, com 7 metros de largura, 15 metros de comprimento e pé-direito de 3 m de altura. As armações da cobertura do abrigo são de aço galvanizado, sobre as quais foi colocado o plástico. Foram construídas também quatro bancadas em madeira, com altura aproximada de 1 m do solo, sobre as quais são dispostos os sacos plásticos, também conhecido como “slabs”¹ . Os slabs são preenchidos com o substrato, uma mistura de casca de arroz carbonizada com turfa.

O ciclo de produção foi estabelecido com o plantio das mudas nos sacos plásticos com substrato, nos quais é injetada uma solução nutritiva adequada à fenologia da cultura, período vegetativo ou período produtivo. A solução nutritiva é formulada utilizando-se diferentes tipos de fertilizantes minerais que fornecem todos os nutrientes necessários para a planta crescer e produzir. A solução nutritiva é monitorada através do uso do condutivímetro². Por meio da leitura da condutividade elétrica, CE, é determinada a frequência da fertirrigação.

O sistema protege as plantas do efeito da chuva e facilita a ventilação. Estas condições aliadas a troca do saco plástico e do substrato a cada dois anos, são responsáveis pela menor incidência de doenças. Como há menor pressão de doenças, é facilitada a adoção de princípios de segurança dos alimentos. O uso de agrotóxicos pode ser substituído por uso de agentes de controle biológico e produtos alternativos, reduzindo drasticamente o risco de contaminação dos frutos, sem afetar a rentabilidade da produção.

Fonte:Juliana Balotin |Assessoria de Comunicação ADR SLO Foto:Reprodução/ASCOM

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